Líbia: Manter viva a chama da liberdade de opinião

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Por Stephen Lendman

A caça ao petróleo da Líbia começou em abril, quando o ministro das Relações Exteriores da Itália Franco Frattini disse que Paolo Scaroni, presidente da gigante italiana do petróleo ENI, mantivera contato com o Conselho Nacional de Transição na Líbia, para “reiniciar a cooperação no setor energético e manter a colaboração com a Itália no setor do petróleo.”

Em junho, o Washington Post publicou que ConocoPhillips, outra gigante do petróleo, essa norte-americana, e outras companhias associadas, também haviam feito contato com o Conselho Nacional de Transição. Nansen Saleri, presidente da empresa Quantum Reservoir Impact, de engenharia, disse que: “Agora já podemos ver que lado vencerá, e não é o lado de Gaddafi. Várias partes do mosaico começam a tomar forma. As empresas ocidentais estão-se posicionando. Daqui a cinco anos, a produção de petróleo na Líbia será maior que hoje e os investimentos estão começando a aparecer”. É o que ele pensava!

Embora seja responsável por apenas 2% da produção mundial de petróleo, a Líbia é o mais rico país africano em reservas de petróleo de alta qualidade – grande parte do qual ainda não está sendo explorado.

Dia 22/8/2011, no New York Times, Clifford Krauss escreveu que “A guerra não acabou e já começou a disputa pelo acesso ao petróleo líbio.”

De fato, os abutres já haviam chegado vários meses antes, certos de que a morte e a putrefação da nação líbia seria questão de tempo. Pode ser que sim, pode ser que não. Apesar da euforia que as televisões e jornais exibem, a coisa não está, não, de modo algum, resolvida.

Várias empresas, contudo, além da ENI e da ConocoPhillips, já estavam envolvidas na luta – a britânica BP, a francesa Total, a espanhola Repsol YPF, a austríaca OMV, as norte-americanas Hess, Marathon, talvez a ExxonMobil, e outras.

Dizem os jornais que Rússia, Brasil e sobretudo a China seriam excluídas da partilha, por ordens de Washington – que já dava Gaddafi como carta fora do baralho.

Além disso, o governo Obama e a OTAN já tinham pronto um plano detalhado para a Líbia sem Gaddafi, que incluía uma força – exército de ocupação – sustentada pelos Emirados Árabes Unidos, suplementada talvez pelos ‘capacetes azuis’ da ONU.

Em outras palavras, o plano previa detonar a soberania da Líbia e substituí-la por força militar e paramilitar de ocupação comandada por governo-fantoche que serviria aos interesses de empresas ocidentais, não dos líbios. Basta isso para se ter certeza de que haverá resistência líbia, como há resistência afegã, iraquiana e por todos os cantos naquela região, contra EUA-OTAN.

Informação distribuída pelo website DEBKAfile (http://www.debka.com/) ligado ao Mossad israelense pode ser verdadeira ou falsa, como se sabe. Mas dia 23/8/2011 aquela página informava que “milhares de combatentes armados de tribos leais a Gaddafi estão em movimento na direção de Sabha” no sudoeste da Líbia – região na qual se supõe que Gaddafi esteja escondido. “Entre eles, há importantes chefes da tribo Gaddadfa” (na qual se inclui a família Gaddafi) estimados em cerca de 100 mil na região de Sirte, no litoral entre Trípoli e Benghazi.

DEBKA dizia que forças especiais do Reino Unido, França, Jordânia e Qatar “lideraram o ataque dos rebeldes a Trípoli e ao complexo Bab al-Azaziya onde Gaddafi vivia”. Foi a primeira vez que tropas ocidentais e árabes “combateram lado a lado, em qualquer das revoltas árabes da Primavera Árabe (2011) e a primeira vez que forças árabes são incluídas em operação da OTAN”.

Elementos ocidentais envolvidos incluiriam agentes especiais do Reino Unido e da França, além de ‘forças especiais’ da Jordânia – “especialistas em guerrilha urbana e em capturar instalações fortificadas”, além de forças especiais do Qatar.

Apesar de dizer que Trípoli estaria quase toda sob controle dos ‘rebeldes’, DEBKA dizia que “a guerra não será rápida”. Pensavam talvez no Afeganistão e no Iraque. Mas a guerra na Líbia pode ser muito mais longa do que DEBKA e outros supõem.

Em Progressive Radio News Hour (programa gravado na 5ª-feira para ir ao ar no sábado), o professor de Direito Francis Boyle disse aos ouvindo que se deve esperar guerra longa na Líbia, além de ser possível que o conflito se alastre pela região e talvez além dela. Não é o único; Webster Tarpley também vê risco de longa guerra civil (tribal) na Líbia. Boyle e outros também desmentem os relatos de que Trípoli estaria sob controle dos ‘rebeldes’ e dizem que a batalha prossegue nas ruas.

A Grande Mentira ‘jornalística’ contra os fatos

Desde o início dos conflitos na Líbia, a imprensa-empresa veiculou informação falsa sobre vitórias da OTAN ou de grupos aliados à OTAN. A ideia, evidentemente, é controlar as mensagens, confundir o inimigo e não gerar pânico nos países membros da OTAN (cuja população tem filhos, filhos, irmãos, maridos, pais no front), fazendo crer que tudo estaria andando conforme o previsto e que a vitória estaria próxima.

[O enviado da Rede Globo, Marcos Uchoa, que chegou ontem a Trípoli, ‘informou’, no “Jornal da Globo”, que os líbios “têm o hábito de atirar para cima” (informação que foi acompanhada de movimento do dedo do jornalista, como se estivesse com o dedo num gatilho), e que os tiros que se ouviam ao fundo, enquanto o jornalista falava, festejando a paz que o cercava na Líbia, não passavam de “tiros comemorativos”. Seja verdade seja mentira, fato é que nunca antes na história desse país alguém se atrevera a falar de “tiros comemorativos” em sentido e com entonação indiscutivelmente laudatórios. Mesmo no pior jornalismo do mundo, difícil imaginar ridículo mais absoluto (NTs)].

De fato, a situação em Trípoli e em outros pontos da Líbia nada tem de semelhante ao que a OTAN parece ter previsto; por todos os lados o que se vê é caos e tiros. Nada absolutamente está decidido e o que se discute é que tipo de novos exércitos ocidentais serão mandados para lá, se os gaddafistas não forem rapidamente contidos e os ‘rebeldes’ não se impuserem. O que se vê também é que os ‘rebeldes’ não têm qualquer plano de ação, nenhuma organização e estão sofrendo baixas pesadas – dado que já não contam com o apoio aéreo da OTAN que lhes deu cobertura no sábado, para entrarem em Trípoli.

Dia 24 de agosto, a rádio Voice of Russia noticiou que “Agências russas ouviram pessoal médico ucraniano em Trípoli que falam de balas perdidas, prédios saqueados e absoluto caos. Os habitantes da cidade mantêm-se em casa e as ruas estão tomadas por bandidos. Testemunhas oculares falam de uma gangue armada que teria invadido e saqueado as embaixadas da Bulgária e da Coreia do Sul e a residência do embaixador da Ucrânia. Não há dúvidas de que a luta em Trípoli continua. Absolutamente nenhum analista sério arrisca-se a dizer que os rebeldes controlam alguma coisa (...).”

Toda a mídia-empresa ocidental opera na direção de desinformar e distorcer a realidade em campo. Quanto mais se acompanham as grandes redes de televisão e jornais, mais se tem certeza de que nada sabem e nada vem – ou que mentem deliberadamente.

No New York Times, o que se viu de mais aproximado da verdade foram alguns fragmentos de frase de Anthony Shadid, dia 24/8, em matéria intitulada “Depois das revoltas árabes, reina a incerteza”, em que diz: “A Líbia é uma revolução em andamento, que tanto inspira quanto gera ansiedade, e ilustra o quanto a mudança de regime pode ter-se tornado perigosa nessa nova fase da Primavera Árabe”.

O que se pode dizer com alguma certeza

O que continua na Líbia não é uma revolução: é uma guerra civil instigada (e armada) pelo ocidente. Que é violenta, não há dúvida; que gera ansiedade, ok. Mas nada tem de “inspiração” para ninguém, sobretudo não, evidentemente, para os milhões de líbios que estão sob fogo cerrado da OTAN e de mercenários ou de grupos da oposição que, sob Gaddafi, jamais andaram pelas ruas atirando a esmo.

Quanto à “Primavera Árabe” sequer começou e está muito longe de dar flores políticas consistentes – por mais que aquelas lutas sejam “inspiradoras” e se deva esperar que continuem a dar coragem para que os povos lutem por direitos que há muito tempo lhes têm sido negados. A ‘inspiração’ da “Primavera Árabe” nada tem a ver com a inspiração que move as gigantes do petróleo no ataque/saque que estão movendo contra a Líbia.

Mas há fragmentos de verdade no que Shadid escreveu: a liderança do Conselho Nacional de Transição é, sim “opaca e sem coesão”. Anota também que armar mercenários estrangeiros, como faz a OTAN hoje na Líbia, para apresentá-los ao mundo como “rebeldes” e “combatentes da democracia” é “exatamente o mesmo tipo de intervenção que tem longa e triste história e sempre foi tóxica, no mundo árabe”. E que “a transição para uma nova ordem”, nessas circunstâncias, pode ser... tumultuada”. A palavra é fraca, mas o argumento não está completamente viciado, como os demais, nas páginas daquele jornal, sobre o mesmo tema.

Mas Shadid esquece de dizer que na Líbia, no Egito, no Bahrain, na Tunísia e em muitos outros pontos do mundo árabe, ninguém, em sã consciência, consegue ver algum sinal de alguma dor do parto de alguma democracia. Também não comenta o que disse o Dr. Moussa Ibrahim, porta-voz do governo líbio: que as forças pró-Gaddafi controlam 20 cidades e extensas áreas do país, acrescentando: “Continuaremos a resistir até que Gaddafi volte ao poder. Todo o comando do governo está em Trípoli. As forças legais, exército e voluntários controlamos a cidade”.

É quadro absolutamente diferente do que a OTAN e as empresas de televisão e jornais do ocidente insistem em pintar. Não só a OTAN e as empresas de televisão e jornais, mas, também gente respeitada como, dentre outros, o prof. Juan Cole, que festejava, não se sabe o quê, em artigo do dia 22 de agosto [aqui omitido].

O artigo do prof. Cole só faz repetir desinformação, má informação, distorções e completas mentiras de jornais e agências noticiosas. Dificilmente se encontraria mais lamentável expressão de desonestidade intelectual: parece ser discurso de quem espera colher benefícios da mentira. Não é o único, nem é o pior. O prof. Cole é, apenas, mais um, numa legião. Toda e qualquer mentira, suficientemente repetida, convence os mais tolos que, infelizmente, são maioria estatística.

Muito mais confiáveis são os relatos que dizem que a situação na Líbia está indefinida, que é caótica, que reina a mais terrível violência e que nada está resolvido. Também é verdade indiscutível – vê-se nas ruas – que Gaddafi continua imensamente popular. Simultaneamente, a população odeia a OTAN e os assassinos ‘rebeldes’ com os quais não querem qualquer tipo de aproximação com associação. Resultado disso, deve-se esperar que a luta prossiga por muito tempo.

Se a população líbia conseguirá derrotar a OTAN, ainda não se pode dizer. O que se pode dizer é que isso é, resumidamente, o que a população líbia mais deseja que aconteça. É desejo, também, de todos que reconheçam que é direito de todos os povos resistir à dominação imperial.

É possível que o espírito da Primavera Árabe – muito mais que os resultados obtidos até aqui – consiga inspirar os líbios e outros árabes a não ceder ante a violência da agressão e da ocupação militares. É sua única chance.

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